SOMBRA POÉTICA


Fim em si mesmo

Outro dia
eu lia
poesia.
Nelson Capucho.
E tomava
capuccino.

E a xícara,
quase vazia,
me dizia:
"tudo finda quando acaba".



Escrito por Bruno Marques às 23h06
[   ] [ ]




Lírica perturbante

O amargo, crua lama descontente,
traz uma alma doente
como quem inocente
sente
o âmago
da alva
descrente.



Escrito por Bruno Marques às 00h40
[   ] [ ]




Niilista apático

A cabeça é um copo que treme
a tremedeira, a água que geme
o fôlego, um gole que pensa
e a fadiga, qualquer coisa que cansa
que dança, a apatia, no meio do nada.



Escrito por Bruno Marques às 12h37
[   ] [ ]




Eu

A poesia,
expressão ávida de um sentido,
garoa pelo intrínseco
de todos os meus desacessos
e acessos e excessos
e desencontros
e me torna um ser livre pelo mundo.



Escrito por Bruno Marques às 00h37
[   ] [ ]




Sobre o chão

A sandália enmolecada calça a nudez,

firmo o pé esquerdo sobre o chão

e distorço a vibração:

Amanda nasceu.

Enmolecado, eu sou a nudez.

 



Escrito por Bruno Marques às 02h52
[   ] [ ]




Monumento dos pioneiros

A neta no almirante do Garcia;

paralelepípedos, intactos, contam a história

e o ônibus mansinho

reconta o fervor da chegada.

Dona Alzira se arrepia.



Escrito por Bruno Marques às 15h50
[   ] [ ]




Vidinha sem graça

Nasce, cresce e morre. E não leva nada. E não traz nada. E tudo fica.

E o que fica, continua na mesma. E o que crescerá, morrerá na mesma angústia.



Escrito por Bruno Marques às 09h58
[   ] [ ]




Pós modernidade

Um grito sobre o tempo,

gemido de um evento

é o sentido dessacralizado

de um mundo desumanizado.



Escrito por Bruno Marques às 12h18
[   ] [ ]




Ascese

A rebeldia é a fuga das incertezas

e o declínio, a certeza rebelde,

a ascese de mão única e a glorificação da patologia.



Escrito por Bruno Marques às 12h33
[   ] [ ]




Abstração

Enquanto a vida segue sem sentido para o fim,

o limite da linha imaginária é o que liga à outra possibilidade.

 



Escrito por Bruno Marques às 18h24
[   ] [ ]




Ponto de equilíbrio

Enquanto o asfalto refletia as

penumbras

do apetite neural esfacelado num ultimo

adeus,

a gincana social seguia o fluxo da

normalidade.



Escrito por Bruno Marques às 09h33
[   ] [ ]




Um instante recolhido

A neblina, fumaça da quimera,

quisera em sua menina

o instante perdido

e recolhido

e recatado

no infinito de nossas expressões.

 

E eu, Quimera de três cabeças,

vivo o instante recalcado de tuas sensações.

Quisera eu, a neblina,

penetrar em tua retina.

 

 



Escrito por Bruno Marques às 15h07
[   ] [ ]




Sobre o riso e o perdão

O riso é a expressão do estar contente mesmo diante da abobrinha.

Eu disse isso enquanto conversava sobre coisas da vida

e ela falava sobre a amizade, o perdão e sobre andar de patins na muralha

e descobríamos um ao outro.

 

 



Escrito por Bruno Marques às 13h05
[   ] [ ]




Mãe-terra

Eu sou os pés descalços de teu chão

e o chão descalço dos teus pés;

eu sou a terra mansa do teu andar

e o andar manso de minha terra.

 

Eu sou o barro envelhecido pela tecitura

e o viés do abismo sagrado;

e no espaço e tempo, 

eu sou a textura da tecitura do novo.



Escrito por Bruno Marques às 18h33
[   ] [ ]




O silêncio das palavras

O céu rachado em magnetismo

badala o signo do ostracismo,

e o abalo do sino sísmico

confunde o cinismo de minha sina.

 

Do ar ao pó, sou som surdo,

do céu à terra, trovejo o escuro

das lamentações sintáticas.

 



Escrito por Bruno Marques às 18h43
[   ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico